Capa do livro Suzane Von Richthofen

Suzane Von Richthofen

Quando o amor chega tarde demais

📅 2025 📖 Tragédia em Versos 🏷️ Parricídio · Trauma
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Sinopse

Suzane von Richthofen tinha um sobrenome que era uma asa. Bisneta do Barão Vermelho, o lendário ás da aviação alemã, ela cresceu cercada de privilégios.

Sete babás passaram por sua infância. Sete vezes ela se apegou. Sete vezes foi abandonada. Quando finalmente encontrou o amor, o aeromodelista Daniel Cravinhos, seus pais tentaram impedir o namoro. Ameaças de deserdação. Agressões. O plano de enviá-la para a Alemanha. Suzane não aceitou perder o que amava.

Na madrugada de 31 de outubro de 2002, os irmãos Cravinhos entraram na mansão dos Richthofen com barras de ferro. Vinte marteladas depois, o Brasil assistia, estarrecido, ao crime que se tornaria um dos mais chocados de sua história.

Suzane é um romance em versos que reconstrói essa tragédia em seis atos — e vai além. Investiga as raízes do mal no abandono infantil, na falta de autoconhecimento e na sombra que habita em todo ser humano. E termina com um final que o julgamento real não teve: a absolvição da ré.

Escrito com estrutura de tragédia grega, diálogos que alternam lirismo e brutalidade, e uma tese que dialoga com a psicologia junguiana, Suzane não é um livro para quem busca respostas fáceis. É para quem tem coragem de olhar para a própria sombra.

Trilha Sonora

🎵 Choro Bandido

Música tema do livro - Chico Buarque

🎵 Groovy Kind of Love

Música tema do livro - Phil Collins

Versos do livro

"Coração bate muito forte,
Até sem norte diante ação
Do sonho de voar sozinho
Num aviãozinho ali planando
Acolá armando na terra antes
Voar: bastante, estou amando!"
— Trecho do livro
"O coro de sete crianças {entra}

se jamais errastes joga primeira pedra
diz a tensa passagem do livro sagrado
perante maldade do mundo onde se medra
o mais inexperiente casal desregrado

sem se autoconhecer portanto não soletra
sinais do coração adiante inesperado
pela perda do amor assim ódio penetra
mentes dos amantes a ato desesperado

projetando fora emoção dentro latente
a mercê d’ energia negativa em proa
que só humanidade superior entende

sentimentos por detrás de ignaros à toa
imersos na ilusão da cisão faz que sente
se somente ela compreende então perdoa.

{Sai}"
— EPÍLOGUS

Nota do Autor


No caso real, Suzane von Richthofen foi condenada a 39 anos de prisão pela morte dos pais, Manfred e Marisia, em 31 de outubro de 2002. A imprensa a chamou de “fria”, “manipuladora”, “filha do diabo”. A opinião pública a condenou antes do júri.

Esta tragédia não contesta o veredito. Apenas pergunta: o que acontece na alma de uma criança que, nos primeiros seis anos de vida, perde sete mães, uma após outra, e aprende, muito cedo, que o amor sempre vai embora?

A psicanálise chama isso de “trauma de abandono repetido”. A literatura não nomeia, ela mostra. Os sete lutos do Ato I não são invenção poética; são a tradução dramática de um dado real: a menina Suzane foi criada por uma sucessão de empregadas, demitidas ou desligadas, enquanto os pais viajavam, trabalhavam ou simplesmente não estavam.

O amor, para ela, tornou-se sinônimo de perda. Quando o amor finalmente chegou - na forma de Daniel Cravinhos, o rapaz que ela reconheceu como “aquele menino” desde a infância -, ele veio com a força de uma tábua de salvação para um náufrago. Ameaçar esse amor era ameaçar a própria respiração.

E, como ela mesma diz no Ato III: “Era eles ou nós.” Esta peça não defende o parricídio. Defende, como os outros volumes da trilogia Feminino Divino, a possibilidade de olhar para o monstro e perguntar: quem o fabricou?

A absolvição ficcional de Suzane, assim como a de Elize e a redenção espiritual de Flordelis, não é um ato jurídico. É um ato de misericórdia artística. A pergunta que a justiça não pode responder, a literatura pode ao menos formular.

O leitor que busca um documentário encontrará outra coisa; aquele que busca entender, não concordar, mas compreender, terá, por fim, valor na sua procura.


Hefesto Diniz
Rio de Janeiro - RJ
Outono de 2025.

O que a crítica diz

"Suzane talvez seja a melhor obra do autor, não pela precisão técnica dos versos metrificados, mas pela coragem de sustentar um ponto de vista que poucos ousariam defender."

"Suzane dói ao ler. E é exatamente por isso que precisa ser lido."

Detalhes do Livro

⚠️ Aviso: Esta obra contém cenas de violência e temas sensíveis. Recomendada para maiores de 18 anos.