Uma inusitada ideia em mente - vasculhar e encontrar um caso especial de empoderamento da mulher da rígida sociedade patriarcal brasileira da década de 30 ou 40, do século XX -, moveu energias às linhas dos versos em heptassílabos.
O romance entre Maria Helena e um misterioso estrangeiro tomou as páginas das colunas sociais dos jornais da época, pelo escândalo em torno do marido preterido, diante da mais tradicional igreja do Rio, de intenso movimento de fiéis, frequentada pela nata da elite da cidade em uma manhã de domingo de algum verão logo após a metade daquela década.
Casada com Menelau - homem quase vinte anos mais velho -, a protagonista vivencia os costumes de uma época em que, para ser aceita na sociedade patriarcal, a mulher precisava adotar uma postura de inferioridade. Nesse contexto, a expressão comum "ser sustentada pelo marido" refletia a submissão completa após o matrimônio. O recebimento de um presente misterioso, contendo joias e um bilhete escrito à mão, abala a relação conjugal tóxica e desencadeia uma crise sem precedentes.
O poema Helena e seu "fantasma" estrangeiro pode não ser a mais dramática das obras do autor, porém, poucos contestarão que seja - e merecidamente - a mais artística.
Música tema do livro — Gigliola Cinquetti
Música tema do livro — Laura Pausine