Capa do livro Elize Matsunaga

Elize Matsunaga

A herdeira da tragédia

📅 2025 📖 Tragédia em Versos 🏷️ Violência · Trauma
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Sinopse

"Dois corpos feridos na infância se encontram na noite. Dois solitários que não sabem que carregam, um dentro do outro, o mesmo veneno."

Elize aprendeu cedo que o amor machuca. Abusada ainda menina, expulsa de casa pela própria mãe, sobreviveu como prostituta de luxo nas ruas de São Paulo. Marcos, herdeiro de um império alimentício, também guarda um segredo enterrado na primeira infância. Quando se encontram, acreditam ter encontrado a salvação. Casaram-se. Tiveram uma filha. Mas o passado não esquece, e o que nasceu como conto de fadas termina em sangue, fogo e um esquartejamento que chocou o Brasil.

Escrita em versos que cortam como lâmina, "Elize Matsunaga – a herdeira da tragédia" é uma obra sobre o ciclo da violência, a hipocrisia do amor romântico e a pergunta que ninguém quer fazer: até que ponto o monstro já foi vítima?

Com influências de Caravaggio (cujas obras batizam os atos) e uma estrutura que remete à tragédia grega, o livro confronta o leitor com questões incômodas: o que o passado faz com uma pessoa? Até onde a violência gera violência? E quem somos nós para julgar?

Trilha Sonora

🎵 Garoto de aluguel - Táxi boy

Música tema do livro - Zé Ramalho

🎵 Strangers in the Night (Instrumental)

Música tema do livro - John Williams

Versos do livro

“Lindamente surpreendente
Corpo - mente inteligente —
Eu mostrei-te o melhor vinho
Do mundo, sim, mais carinho…
E com bom gosto, aprecias,
E mais do q’eu, te vicias;
Eu te ensinei a atirar,
Não queres mais retirar
Alvo, porque tanto gostas —
Vences-me em todas apostas.
Apresentei-te o pintor
Caravaggio, meu autor
De raro talento, agora,
Por ele, tu até choras!
Em que mais me superar?
Não perdes por esperar,
Jamais pois vás operar
Sem mim e bem prosperar!”
— Ato III: O casamento / cena "C" - Caça no Pantanal
"Minha profissão é suja e vulgar"
— Abertura musical (Zé Ramalho)

"Coro – sete adolescentes, entra

bastante popular no Egito antigamente
o dito de origem Atlante em terra pura:
se dois na terna idade são sexualmente
abusados no pudor, então alma impura.

estranhos depois da tarde, prazer em mente.
duas almas gêmeas fitam-se em noite escura,
desconhecem os dois outrora extremamente
corrompidos naquela idade da procura.

lá diz o atlante: início prazeroso mágico
esconde destino da má sorte d’ encontro;
o fim torna-se aterrador no sangue estático.

a crise do casal obscuro desencontro,
imóvel a mente e corpo no final trágico
revela mais antigo segredo: (um mata o outro!)

Sai "
— EPÍLOGUS

O que a crítica diz

"Elize Matsunaga – a herdeira da tragédia é uma obra que não se curva ao fácil nem ao confortável. Uma tragédia em versos sobre o ciclo da violência e a pergunta que ninguém quer fazer: o monstro nasce ou é feito?"

Detalhes do Livro

Nota do Autor

No julgamento real, Elize Matsunaga foi condenada a 22 anos de prisão, depois reduzidos para 18. Sua história real está nos autos, nas reportagens, nos documentários. Esta tragédia, no entanto, não é um documentário.

É uma livre adaptação poética que explora o que os autos não podem registrar: a alma de quem mata e a alma de quem é morto.

A absolvição de Elize, aqui, é uma escolha artística, não sobre o direito, mas sobre misericórdia; sobre a pergunta que a justiça não faz: até que ponto o monstro já foi vítima?

O leitor que espera um relato jornalístico encontrará outra coisa, mas o leitor que busca compreender, talvez encontre o que procura.

Hefesto Diniz
Rio de Janeiro - RJ
Outono de 2025.
⚠️ Aviso: Esta obra contém cenas explícitas de abuso sexual, violência doméstica e esquartejamento. Recomendada para maiores de 18 anos.