"Dois corpos feridos na infância se encontram na noite. Dois solitários que não sabem que carregam, um dentro do outro, o mesmo veneno."
Elize aprendeu cedo que o amor machuca. Abusada ainda menina, expulsa de casa pela própria mãe, sobreviveu como prostituta de luxo nas ruas de São Paulo. Marcos, herdeiro de um império alimentício, também guarda um segredo enterrado na primeira infância. Quando se encontram, acreditam ter encontrado a salvação. Casaram-se. Tiveram uma filha. Mas o passado não esquece, e o que nasceu como conto de fadas termina em sangue, fogo e um esquartejamento que chocou o Brasil.
Escrita em versos que cortam como lâmina, "Elize Matsunaga – a herdeira da tragédia" é uma obra sobre o ciclo da violência, a hipocrisia do amor romântico e a pergunta que ninguém quer fazer: até que ponto o monstro já foi vítima?
Com influências de Caravaggio (cujas obras batizam os atos) e uma estrutura que remete à tragédia grega, o livro confronta o leitor com questões incômodas: o que o passado faz com uma pessoa? Até onde a violência gera violência? E quem somos nós para julgar?
Música tema do livro - Zé Ramalho
Música tema do livro - John Williams
"Elize Matsunaga – a herdeira da tragédia é uma obra que não se curva ao fácil nem ao confortável. Uma tragédia em versos sobre o ciclo da violência e a pergunta que ninguém quer fazer: o monstro nasce ou é feito?"
No julgamento real, Elize Matsunaga foi
condenada a 22 anos de prisão, depois
reduzidos para 18. Sua história real está nos
autos, nas reportagens, nos documentários. Esta tragédia,
no entanto, não é um documentário.
É uma livre adaptação poética que explora o que os
autos não podem registrar: a alma de quem mata e a alma
de quem é morto.
A absolvição de Elize, aqui, é uma escolha artística, não
sobre o direito, mas sobre misericórdia; sobre a pergunta
que a justiça não faz: até que ponto o monstro já foi
vítima?
O leitor que espera um relato jornalístico encontrará
outra coisa, mas o leitor que busca compreender, talvez
encontre o que procura.