Poeta Dramático · Escritor · Último Romântico
Nezimar Hefesto Diniz Borges - o amapaense que trocou a física pela poesia.
Atualmente residente no Rio de Janeiro, autor de vários romances e tragédias, sua trajetória literária é tão incomum quanto corajosa: durante mais de vinte anos, foi professor de física, servidor público estadual e federal, até que, um dia, decidiu deixar tudo para trás para viver a escrita em tempo integral; um ato de coragem que ele próprio compara a “abraçar o desconhecido e a incerteza”. Dessa travessia nasceram romances, tragédias, e uma voz que transita com rara fluência entre a precisão do físico na métrica clássica e a oralidade do cronista.
Nascido em 19 de maio de 1972, na Santa Casa de Misericórdia do Pará, Hefesto é o sétimo de oito irmãos. Filho do interior amapaense, cresceu em Ferreira Gomes, cidade pequena que mais tarde reconheceria como o berço de seus primeiros insights literários. Foi ali, entre o silêncio da floresta e a oralidade das histórias contadas sobre as pedras do rio Araguari, que a semente da narrativa germinou. Mais tarde, Petrópolis (RJ) seria a cidade que acolheria seus versos e lhes daria forma definitiva - um encontro entre a origem e o destino.
Sua obra é marcada por uma ousadia que poucos autores brasileiros se atrevem a encarar. Nezimar escreve romances em versos, uma escolha formal rara e exigente, e não recua diante de temas considerados tabus: sexualidade explícita, sadomasoquismo, tragédias familiares, violência doméstica, incesto (real ou inventado), filicídio. Seus livros não são para leitores que buscam conforto. São para aqueles que acreditam que a literatura deve incomodar, deslocar, provocar.
Entre seus títulos, destacam-se:
O Casal Malandro – O Poder do Sexo
Essa lista revela um autor que transita entre o espiritual e o carnal, entre a denúncia social e a investigação psicológica, entre a tragédia grega e o crime real. Nezimar não escreve para agradar. Escreve para compreender - e, ao compreender, fazer o leitor se confrontar com suas próprias sombras. Em O Casal Malandro - casal de coração selvagem, por exemplo -, a forma é tão ousada quanto o conteúdo: um romance inteiro em redondilha maior (versos de sete sílabas poéticas), com coros do Sol e da Lua que remetem à tragédia clássica, mas ambientado no Brasil contemporâneo. A história de Gabriel Adônis e Vitória Messalina - um casal que faz de tudo para escapar da rotina, inclusive o sadomasoquismo - deságua em um desfecho brutal, inspirado em fatos reais, mas transformado pela ficção em um estudo sobre o que acontece quando o autoconhecimento falha.
O autor não teme o grotesco, não evita o desconfortável. Para ele, a literatura é o lugar onde se pode - e se deve - perguntar o que ninguém quer perguntar.
Mas por trás do escritor corajoso, há também o homem que passou mais de duas décadas ensinando Física em salas de aula. Nezimar foi professor estadual e federal, testemunha do cotidiano da educação pública brasileira em sua complexidade. Talvez tenha sido ali, entre equações e experimentos, que aprendeu a valorizar a precisão da forma - e a perceber que a poesia também tem sua física: métrica, ritmo, gravidade, impulso..
Sua mudança para a literatura em tempo integral não foi uma fuga, mas um retorno. Um retorno ao sonho do pai - Nestor Diniz, que também escreveu e deixou como herança não apenas livros, mas a certeza de que a palavra pode mudar o mundo. Nezimar pegou essa herança e a ampliou. Hoje, carrega o sobrenome do pai com orgulho e escreve como quem cumpre uma promessa.
Sua biografia, no entanto, não se reduz à lista de títulos ou cargos. Há nela um fio condutor mais profundo: a coragem. A coragem de trocar a estabilidade de um concurso público pela incerteza de uma carreira literária. A coragem de escrever sobre temas que muitos preferem silenciar. É essa coragem que faz de Nezimar Hefesto Diniz Borges um escritor único no cenário literário brasileiro. Não apenas pela forma - os versos, os coros, a tragédia -, mas pela postura. Ele não escreve para ser lido por todos, mas por aqueles que, como ele, acreditam que a literatura é um mergulho sem boia - e que só quem se arrisca a afogar nas palavras encontra, no fundo, algum sentido para o caos.
Hefesto Diniz Borges"Não escrevo para agradar. Escrevo porque o amor e o ódio precisam de testemunhas."
Cada verso, cada história carrega um pedaço da alma humana - suas luzes e suas sombras. Acredito que a literatura tem o poder de transformar, de curar e de revelar o que há de mais profundo em nós.
Seja nas páginas de um romance, seja nos versos de um poema dramático, meu compromisso é com a verdade da emoção. Sem filtros. Sem máscaras.
Em breve: Helena e A alquimista